quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O amor é outra coisa...

Se tem uma coisa que me arrepia negativamente é alguém chamar uma pessoa de "Mal amada". Fulana faz isso porque é "mal amada", ciclana faz isso porque é "mal amada". Pessoas que muitas vezes conhecem superficialmente outras pessoas utilizam esse "mal amada" como um adjetivo. O que é ser mal amada? O fato do interlocutor não gostar dela a torna mal amada? Mal amada por você, mas vai que tenha alguém no universo que considera essa pessoa tudo.

O "Dia de mal humor" ou a personalidade problemática da pessoa é algo universal. A não ser que a pessoa queira ser um 4.5 (referência a serie "Black Mirror") ela sempre vai ser bem quista (será?). 

Sabe porque eu digo isso? Por que isso gera um trauma fu-di-do nas pessoas que estão envelhecendo e permanecem solteiras. Pronto, falei. Levo pro lado pessoal quando alguém chama alguém de "mal amado" quando quer desqualificar a fala do outro. Podemos acabar com o discurso de alguém de várias formas, mas sem questinar o valor amoroso desses. Sabe porque? mais uma vez foi colocado na nossa cabeça que ser amado significa "casamento amoroso". Hey, lembra ai que esse amor romântico eterno e para sempre foi construído. Haha. Pois é né.

Eu lembrei da vez que uma guria fez um escarceu a toa comigo, me colocando em uma situação ridícula e que pra mim foi traumatizante. Fui numa excursão com os colegas da residência e paramos em um posto de gasolina. Eu inventei de comer uma pizza com uma coleguinha, e nós atrasamos. Eu fiquei para esperar ela, porque ela dizia que não conseguia comer rápido. Cheguei a falar pra ela "a galera vai ficar puta com a gente, principalmente vão me culpar". Sim, a culpa é sempre minha, por onde eu vou eu consigo a proeza de ser detestada pelos meus colegas. 

Uma "danada" foi lá nos buscar e ela ja tinha bronca comigo. Eu não lembro direito mas eu virei pra menina e falei "vesh ... a que se foda então". Eu falei isso porque estava no contexto da nossa conversa, e a intrometida nem estava na conversa. Na época eu morava sozinha e longe dos meus pais, atormentada pela residência. Eu lembro dela virar e me dizer, ja procurando briga "Você só age assim porque você não tem família, marido e nem filho na casa".  Atitude babaca principalmente porque eu não estava tendo nenhuma atitude inconsequente, eu estava sendo gentil com outra pessoa! A minha colega e eu passamos uma vergonha danada, mas até então eu prefiro esquecer dessa parte porque foi tensa. 

Voltando ao ponto principal. A minha colega buscou a justificativa da forma que ela nos tratou com uma fala "não liga pra ela, ela é mal amada". E pra mim, a atitude da intrometida me abalou pra caramba, porque eu morria de saudades das pessoas que eu mais amava e ainda morava sozinha. Doeu mais ainda porque eu fui fuçar no facebook e ela era casada. Então levar a fala da minha amiga ao pé da letra não me ajudou em nada: em teoria, ela não era mal amada, e mas eu era, pois a pessoa sozinha que é afinal a mal amada.  Te peguei, não é. Mas isso significa que ela é feliz? Não sei, de acordo com as mil fotos... e sim, estou tentando plantar uma dúvida aqui na sua cabeça. Quem é amado? Quem é feliz? Será que mesmo essa pessoa tem motivos para acusar a outra de ser "não amado"?

Eu estou querendo chegar ao ponto: não vamos colocar o amor que uma pessoa recebe ou não em cheque pra relativizar o comportamento positivo ou negativo dela. A guria que me tirou no ônibus foi uma babaca mór e inconsequente (muito mais do que meu atraso se revelou). Mesmo assim, eu não posso apenas olhar pra essa pessoa e pensar: ela é assim porque ela é infeliz. Eu detesto essa pessoa, logo ela não é amada por mim. E pior ainda: ela esta solteira porque ninguem ama ela. Ser sozinho não te faz infeliz, assim como ser casado não te faz alguém contente. Fim. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Preciso falar sobre a minha mãe

Meus pais nasceram no mesmo dia, 7 anos de diferença. Eles são geminianos, mas caem por terra em qualquer comparação sobre signos. Meu olhar é sobre a minha  mãe. Nasceu em Taubaté e foi criada numa família com uma renca de filhos, acredito que uns sete. Aos três anos,  perdeu a mãe devido a uma complicação no parto de gêmeos. Viveu com a família da madrinha dela até os sete anos, como uma princesinha. Depois meu avó buscou todos os filhos que estavam espalhados e levou para um sítio em Ribeirão Grande. Pra minha mãe foi um trauma, porque cresceu sem as "irmãs" de criação e longe das referências femininas. 

A minha mãe conta que ela sofreu muito, sendo chamada constantemente de Maria Mijona e tudo mais. Eu sei que ela estudou até a 4ª série. Depois o pai dela morreu, e ela foi pro mundo trabalhar como empregada doméstica. Eu sei que ela morou em diversas cidades, de casa em casa e por assim foi indo, e nunca me contou nenhum detalhe sobre isso. Ao vir aqui pra Itapetininga, eu sei que ela teve um namorado (ou paquera) que deu a ideia dela terminar os estudos. Foi lá e fez o antigo "ginasinho". Conheceu meu pai enquanto estava trabalhando de doméstica e estudando. Seis meses de namoro e ja se casaram em maio. Janeiro do ano seguinte meu irmão nascia e depois de um ano e meio, seria eu. Entrou no curso de História, e enquanto estudava trabalhava como costureira. Ao se formar, iniciou a carreira como professora, passou no concurso para professora estadual. Teve câncer de mama e depois foi readaptada de função.

Eu conto isso pra vocês pra tentar explicar sobre mim e como fui construída. A minha mãe, essa pessoa que é maravilhosa, também teve suas falhas. Ela é uma pessoa conservadora, só não escrevo que é super porque seria exagero, mas tende a ser. Sempre me pôs medo a respeito dos homens, como se eles fossem estranhos. Chamava o ex dela de "Lobo mau". Disse sempre pra mim que casou virgem com meu pai (a verdade é que ela só se relacionou com ele) e que jamais era pra deixar um homem me fazer de pinico. A minha mãe se irritava de eu usar qualquer coisa que valorizasse um pouco o corpo, apesar de não proibir. Sempre impôs barreiras, com alguns pensamentos bem conservadores sobre mulheres. Ainda com preconceitos sobre mães solteiras e mulheres divorciadas. 

A forma dela me explicar menstruação foi mega engraçada (se bem que foi mais constrangedora). Eu tinha dez anos. Atrasou só quatro anos pra de fato eu menstruar. A minha adolescência eu sempre fui meio escondida. Sempre aquele pavor de "se você engravidar sem ter casado, não conte comigo". Aquele pavor de eu perder a virgindade. Curiosamente, as meninas da minha rua sempre falavam que ia casar virgem. Eu nunca quis isso, eu sempre achei falso, mas enfim... só sei que ninguém casou virgem. Mas pra minha mãe a virgindade é uma coisa sagrada e ela sempre me falou. E eu nunca rebati, segurei pra mim. 

Eu tive minha primeira relação logo após a minha mãe descobrir o câncer dela. Era um período que eu andava super mal, em que prestava vestibular e tinha medo de perder minha mãe. O menino foi um babaca, escroto mor, e tudo foi muito no acaso. As vezes eu acho que se não tivesse tido relação com ele, eu ia continuar virgem até hoje. Às vezes eu acho que se não tivesse sido com ele, talvez fosse com alguém pior. Meus pais nunca souberam, e sempre tive medo deles suspeitarem. Meu pai já sempre se portou diferente "Se acontecer alguma coisa, pode contar comigo". 

Só sei que fiquei mal, e muito mal, tanto que fui mal na 2ª fase da FUVEST e minha mãe ficou ao meu lado. Nisso pra mim ela sempre foi um ponto de apoio. Quando eu era mais nova, eu fui ensinada a não se casar pelo fato do meu pai ser militar. A minha mãe sempre me incentivou a ler e querer crescer "Case com o seu diploma". Acredito eu que se uma mulher quer que os filhos dela sejam pessoas estudiosas, ela precisa ser o exemplo. Nisso ela sempre esteve certa. 

Então foi com o apoio dela que fiz graduação. E foi longe das vistas dos meus pais que eu comecei a ter minhas "histórias amorosas". Nunca fui preparada pra nada disso. Alias eu sempre fiz o que me deu na telha. Fui mega desmiolada em diversas vezes, gostei de gente que não valia a comida que comia. Pela primeira vez eu fiquei magrinha e passei a ser considerada bonita. Porém nunca olhei no espelho e senti isso. Aprontei e fiz várias coisas que uma mãe conservadora não aprovaria. Tomei no rabo N vezes, mas eu sempre busquei ser verdadeira comigo mesma, apesar da impulsividade. 

Apresentei meu primeiro namorado pra ela quando eu tava no 3º ano da faculdade e considero que foi um erro tremendo. A minha mãe se apegou demais ao rapaz. Sabe aqueles meninos bonzinhos, estudiosos e que não fazem mal a uma mosca? Era meu ex. E ele continua assim. Acontece que pra mim não foi o suficiente. Eu não estava satisfeita e ser uma boa pessoa não era o suficiente para segurar uma relação. No dia que eu terminei, contei pra minha mãe. Ela dizia "Fala pra ele que você se enganou e que quer ele de volta". Não mãe, eu nunca me enganei, e eu nunca mais voltei pra ele, apesar de querê-lo bem. Ela faz questão de falar dele comigo sempre. 

Minha vida de diversas reviravoltas e depois de 7 anos eu acabei retornando pra minha cidade natal. Voltei a morar com meus pais. Há algumas semanas eu me relacionei com uma pessoa em uma viagem para SP (será outro post) e de um sonho, essa relação se tornou um pesadelo. Tudo o que aconteceu eu coloquei em um caderno, escrevendo as coisas boas, as ruins e também as coisas que eu gostaria que tivessem acontecido. Minha mãe mexeu nas minhas coisas sem permissão e leu o que eu escrevi. Ela ainda acreditava que eu era virgem, porque esse assunto sempre foi tabu. Na verdade, ela parou de perguntar e eu não gosto de falar de qualquer assunto referente a sexo com ela justo por isso. 

Mas então ela leu o que não era do direito dela ter lido. Meu pai me avisou que minha mãe estava alterada e ele estava preocupado, suspeitava que era sobre mim. Fui perguntar pra ela o que aconteceu e ela não queria falar, mas começou a dizer "Você precisa aprender a se valorizar". Foi o estopim. 

 A minha mãe sempre fez vista torta para os meus comportamentos de "não-boa moça". Principalmente porque eu não aceito. Mas eu sempre soube que virgindade era o tabu master da minha mãe. Nunca consegui contar nada, e ela soube justamente através de uma das experiências mais dificeis que eu tive. O clima da minha casa azedou. 

Fui aberta e falei a verdade. Quem me conhece sabe que eu não sou de ficar mentindo. Não nasci com o dom da malandragem. Eu me considero uma feminista, e o direito de uma mulher de ter relações não esta sob discussão pra mim. Uma coisa é verdade, eu tenho a minha auto-estima abaixo do Pré-Sal. Mas eu nunca considerei que meu valor estava relacionado a ter relações sexuais. Eu tenho muita dificuldade em me relacionar amorosamente com o sexo masculino, e enfrento diversas chateações pelo meu temperamento. Mas meu valor não é medido pela minha virgindade. 

Minha mãe me falou coisas dificeis. Mas falou coisas boas também. Ela não tinha criado uma filha para ser maltratada por um homem qualquer. Que eu era um investimento e doia nela saber que um qualquer me maltratou. Pediu pra eu não aceitar ser tratada como menos. Falaria a mesma coisa pra minha filha se estivesse no lugar. A minha mãe descobriu da pior forma que eu ja era sexualmente ativa (que ja ocorreu há um tempo). Vejo que pra ela foi um baque saber que eu quis estar com o rapaz. Ele foi um cretino (babaca, fdp...) depois! Mas eu quis estar com ele. O errado da história foi ele, que não me respeitou. Que apenas aparentemente é um cara liberal com as mulheres mas depois maltrata ao ter alcançado o objetivo.

Uma vez eu escrevi que relacionamentos pais e filhos são tóxicos, porque o amor as vezes é confundido com dominação. É ruim desapontar os nossos pais, de não ser o que eles gostariam que a gente tivesse sido. Mas essa a hora, eu me pergunto: cria-se filho pra você ou pro mundo? Hoje eu me sinto assim, não consegui atender as expectativas dela. Mas me sinto livre justamente pra atender somente as minhas. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Começando a brincadeira

Falam o tempo todo que devemos viver no presente. Quem vive no passado é depressivo e quem vive no futuro é ansioso. Eu tenho um misto dessas sensações ai.
Como cheguei no nome desse blog? Foi após eu irritar meia duzia de amigos sobre o quanto eu queria voltar a escrever blog. Porque no momento eu to desempregada, porque eu não tenho a menor ideia do que vou fazer da vida, não estudo direito e eu estou vivendo a vida conforme a minha poupança. Então é isso, meu presente esta me condenando. E nessa brincadeira eu tenho que ficar recorrendo aos eventos passados pra tentar formular porque esta tudo tão louco nesse presente, pra ver se o futuro melhora. Alias, quero meu futuro promissor de volta pra mim!
Nessa loucura já vou avisando que vai ser a última vez que eu vou me explicar sobre o porque.

Por aqui eu pretendo lembrar de cada um dos meus ex amores (pra tentar exorcizar e enfim aprender com os erros), das situações ridículas que me acontece, além de botar a boca no trombone sobre o momento atual. Além de fazer piadinhas do meu cotidiano absurdamente chato e monótono.