Inicio do ano: saindo de um pseudorelacionamento que acabou no dia 1º de janeiro. Passamos o ano novo juntos e terminamos às dez horas, numa briga que foi até as 18 horas da noite. Eu sei os horários exatos porque eu fiz plantão naquele dia (e me diverti cuidando da criançada). Então eu era residente, estava de férias, e mesmo assim fui durante três dias seguidos fazer plantão em um Pronto Atendimento infantil para superar a dor desse amor. E foi legal. Depois voltei pra casa e socorri uma moça na rua, que estava louca de paixão (verdade gente!). Então que no inicio do ano, minha rotina era a mesma dos últimos dois anos: acordar cinco e meia, pegar ônibus, entrar no trampo as sete, sair às quatro, ir para as aulas teóricas, sair de lá às dez. Quando voltamos das férias, nosso foco era terminar o TCC. Entrávamos em uma sala da Unidade às sete da manhã e houve tempos que saímos de lá as 19 da noite. Período doido e de muito crescimento por sinal. Nessa época eu tava fazendo o curso de Gestão também.
Pós residência: foi o período que eu fiquei no meu limbo Sorocabano. Eu estudava pro vestibular de Med e comecei a dar aula em um colégio técnico, que ficava só do outro lado da cidade. Eu estava fazendo exatamente aquilo que eu tinha sonhado na residência: ser professora. Mas foi quando eu senti que o sonho não era tão doce assim. Ser professora de Enfermagem é penoso: não é valorizado, não se ganha bem, as escolas não oferecem suporte pedagógico, você ganha muito mal pela aula e não recebe para preparar a aula.
Meus caros, se você quer saber se um lugar é bom de estudar, veja se eles dão condições para os professores. No meu primeiro dia em uma sala foi em uma sexta-feira, e as alunas resolveram fazer paredão. Resultado: eu que me preparei pra estar ali, não fui paga, isso porque estava ali no horário certo, com o conteúdo. Voltei pra casa chorando. Outra coisa fundamental pra ser professor, dê aula de assuntos que você realmente conhece. A Enfermagem tem mil ramificações, e é um universo! Eu conheci alunas fofíssimas, e agradeço que não deu nenhum problema entre elas. Mas não é fácil ter que dar nota, querer que eles abracem o estudo e na verdade eles queriam aprender por osmose. Se você não conhecer e vivenciar aquilo, você roda. Chegou uma hora que o sonho desmoronou: prefiro voltar pra minha cidade e fica tudo certo. Joguei a toalha: não dou conta de bancar (lindo) apê, estou insegura com algumas coisas, quero paz porque foram dois anos muito puxado.
De volta pra casa: No dia seguinte do episódio de não ter sido paga, prestei a prova para o ambulatório. Acabei pegando em primeiro lugar, mas achava que não ia ser chamada tão cedo. Voltei pra Itapetininga com sorriso, mesmo sabendo que não ia ser fácil. Meu retorno foi no domingo e na quinta feira fui chamada pra trabalhar no ButantAME (apelido carinhoso dado por mim para mostrar que no lugar só tinha cobra). Então minha rotina nos primeiros três meses foram de trabalho. Parece que tinha caido do céu o emprego porque durante a residência eu tinha rejeitado três empregos concursados (regime estatutário). Todos consideram muita loucura, mas olhando bem, até que foi melhor assim. Eu sei que foi um período que eu vivia aflita, medo das pessoas e de picuinhas. Arranjei bons amigos, me apaixonei pela pessoa errada, nada a ver. Cresci por um lado, regredi do outro. Resultado: acabei sendo dispensada (eufemismo para demitida).
Pós butantAME: Período que eu estava em uma montanha russa emocional. A minha maior decepção não foi ser demitida, mas ver como as pessoas agem e falam de você depois que você saiu do emprego. Tinha uma guria lá que eu super considerava minha amiga, descobri que ela falava mal de mim pra todos, que contou as conversas que teve com a minha mãe. Fiquei na bad. Em seguida perdi um grande amigo após ter ouvido ele passar mal. A morte dele deixou todos nós abalados, por ser uma coisa tão frágil. Eu peguei o dinheiro da recisão do contrato e fiquei de boa em casa. Comecei a estudar pro ENEM, queria Medicina. A realidade bateu: não sei química, física e matemática. Comecei a estudar pra prova do mestrado. Mas o que é verdade é que... eu não fiz nada nesse tempo. Assisti muito seriado (Orphan Black, Narcos, The Affair, The outlander). Entrei na bad, entrei na bad lascada, engordei muito. Inferno astral define.
AGORA: agora eu to tentando me animar, a curtir as coisas. Eu sei que ando aprontando bastante. Mas juro que tenho planos, que quero seguir em frente. Mas olha o quanto a minha vida mudou em um ano!
E na verdade eu sei que eu cheguei no fundo do poço na vida, quando eu olho e vejo que essa é a roupa que eu sai pra rua... Sim, eu sai desse jeito.

Minha mãe diria que eu fui conquistada por alguma seita diabólica muha ha ha. Se bem que, se o país continuar nessa crise, periga eu virar pastora nos próximos anos pra ganhar uns trocados. Poderia exibir essa foto pra mostrar que eu estava abraçando o capeta.
E na verdade eu sei que eu cheguei no fundo do poço na vida, quando eu olho e vejo que essa é a roupa que eu sai pra rua... Sim, eu sai desse jeito.

Minha mãe diria que eu fui conquistada por alguma seita diabólica muha ha ha. Se bem que, se o país continuar nessa crise, periga eu virar pastora nos próximos anos pra ganhar uns trocados. Poderia exibir essa foto pra mostrar que eu estava abraçando o capeta.
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